quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

CONTRASTES CULTURAIS DE UM PASSADO NÃO TÃO DISTANTE


Praça do coreto (Fonte: Google Images) 

   A cidade de Ibotirama, embora seja de porte médio, no comparativo aos seus municípios vizinhos, detém de uma quantidade impressionante de cultura. Sua religiosidade fortemente atrelada às manifestações culturais que dela surge, é de extrema relevância para se manter viva a cultura na sua forma mais essencial de ser. Encontra-se povos com descendência indígena, portuguesa e negra. 

Feijoada (Foto: Google Images)
  Um exemplo importante que precisa ser lembrado são as festas dos padroeiros da cidade e também dos santos de cada bairro (Nossa Senhora da Guia, São Pedro, Nossa Senhora Aparecida, São Francisco, Santa Luzia, etc.) . A forte tradição católica de origem ibérica, proporciona também, a demonstração dos dotes culinários, pois há comidas típicas que se mesclam durante cada comemoração. Exemplos são as festas juninas, onde o milho é o protagonista da mesma. Outra curiosidade está em vender feijoadas em prol das igrejas, esta, uma comida de origem afro-brasileira. 







Altar dedicado a Nossa Senhora da Penha, em Paratinga (Foto: Reprodução/ Hivton Almeida)


    Ainda sobre o cristianismo, há por exemplo, as relações com a Igreja de Nossa Senhora da Penha, localizada no interior da cidade de Paratinga, antiga Santo Antônio do Urubu, que no passado teve Ibotirama como o seu distrito. A Igreja resiste desde o período colonial e contém forte retratação histórica. Seus moradores mais antigos sabem rezar em latim. Nas festas religiosas essa tradição é ensinada aos filhos e netos que se comprometem a passa-la adiante. Este detalhe só corrobora com a ideia de herança trazida pelo Brasil enquanto colônia e suas raízes de Salvador, pois as igrejas católicas são a herança mais simbólica da cultura de nossos antepassados. 

Entrevista com moradores do Cantinho (Foto: Reprodução/ Hivton Almeida)
    Anteriormente, junto com alguns colegas de equipe, havia feito uma pesquisa de campo para a disciplina de História e Região, o que culminou num blog, e este relatava as manifestações culturais trazidas pelo reisado na perspectiva religiosa e como suas influências eram intensas, constituindo a memória, o que sempre remonta ao passado e sua historicidade. Pode ser revisitada ao clicar aqui. O reisado tem origem espanhola, mas foi imprimindo suas próprias características quando trazido ao país. A região nordeste tem essa tradição fervorosa.  A mesma tem origens pagãs, e só corporificou depois que a Igreja Católica decidiu atrelar ao cristianismo. 



   Há famílias cultuando suas entidades com tradições que antes pareciam estar defasadas. Entretanto, é importante ressaltar o papel do capitalismo e seu viés controlador, e isso ocorre através da absorção das execuções culturais. Embora existam tradições menos iminentes no comparativo ao passado, há a resistência dos religiosos que estão comprometidos em não deixar o passado cair no esquecimento. Desta forma, a memória não se perde, pois está entrelaçada no contexto social do município. 


FESTIVAIS ANUAIS

Festival ocorrido no ano de 1990 (Foto: Reprodução/ Facebook)

  Sobre os Festivais de Ibotirama, é necessário relembrar sempre do IBOTIFOLIA, o mais conhecido carnaval fora de época, que comemora a emancipação da cidade. As programações geralmente duram quase um mês, e se reversa com shows de profissionais, até os festivais de Música e Poesia, além das manifestações com danças locais, como é o caso do reisado, com direito a citações de cordel, dramatizações teatrais, competições juninas que ocorrem dois meses antes, realizadas pelas quadrilhas, e show de calouros. 







   FEMPI (Festival de Música de Ibotirama) e o FEPI (Festival de Poesia de Ibotirama) compõe uma produção mais elaborada. Há divulgações interessantes, com direito a entrevistas e também a receber poetas e músicos de outras regiões do país, caso queiram participar dessa manifestação cultural. Incentiva a cultura na cidade desde a década de 1970, quando se iniciou a primeira edição do Festival de Música. 

   É possível concluir que as raízes ibotiramenses não estão restritas a determinados nichos, mas ressalta a pluralidade de detalhes que extrapolam o convencional. O seu passado, crenças, causos contados pelos indivíduos idosos, estrutura suas bases arraigadas no saudosismo e ansiadas num promissor futuro das gerações seguintes. 

 

 

 
 

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

A HISTÓRIA POR TRÁS DA TERRA FLOR

Foto do pôr do Sol, cais de Ibotirama 



  Ibotirama é uma cidade localizada no interior da Bahia, e tem uma história pregressa muito rica, embora pouco documentada. Localiza-se na microrregião de Barra e mesorregião do Vale São Francisco da Bahia. Está a 652 quilômetros a Oeste da capital Salvador. O último censo demográfico, datado do ano de 2010, registrou 25.422 habitantes. O levantamento mais atual, datado de 2019, levantou 26.927  O nome da cidade vem da língua tupi guarani (Yboty-rama), o que significa “terra das flores”. Existiam muitas tribos que aqui viviam, antes de se consolidar por indivíduos brancos de sangue português. Eram os Tamoios, Cataguás, Xacriabás, Aricobés, Tabajaras, Amoipira, Tupiná, Ocren, Sacragrinha e Tupinambás.

    Os parágrafos seguintes passarão pelas influências que a capital exerceu na cidade, sejam elas sutis ou maiores, a ponto de ser observada sem grandes aprofundamentos. Dentro da historicidade baiana, o município desempenha um papel interessante desde o período colonial, quando ainda estava bem longe de ser o que é hoje. Sua cultura tem muito a acrescentar dentro da Bahia.


Igreja de Nossa Senhora da Guia (Foto: Wikipedia)

   No Século XVII, fazia parte do território do município de Santo Antônio do Urubu (atual Paratinga), ocupado por fazendas. Como se sabe, naquele período, no século pregresso, essas terras eram pertencentes a Antônio Guedes de Brito, latifundiário que recebeu as Sesmarias, segundo maior latifúndio do Brasil. Em 1732, era a Fazenda Bom Jardim, território pertencente à Joana da Silva Caldeiro Pimentel Guedes de Brito, e formou-se posteriormente o arraial com o mesmo nome.

     A influência de Salvador existe a partir do momento em que se edifica a capela de Nossa Senhora da Guia do Bom Jardim (foto acima). Uma das maiores  heranças trazidas desde o descobrimento do Brasil, realizada pelos Jesuítas, se não a maior, é a Igreja Católica. Quase todo povoado, por menor que seja, tem uma igreja edificada, o que garante essa realidade dentro do que ocorreu nos anos iniciais do país. O objetivo era catequizar os indígenas e demais pessoas, para a salvação da alma das mesmas.

    Sobre o arraial ainda, é possível definir que os boiadeiros e tropeiros gostavam dessa região, justamente por causa da mesma estar disposta como travessia do Rio São Francisco. Com o comércio e a disponibilidade de um solo fértil para as plantações e atividades da pecuária, a motivação de mais pessoas pertencentes a outras regiões foi grande. Esse é outro detalhe que foi trazido de Salvador, e se torna até os dias de hoje as atividades mais rentáveis do município.

  Em 1931, já como povoado para Jardinopólis, e, posteriormente, de acordo com o decreto Nº 177, Ibotirama, em 31 de Dezembro do ano de 1943. Até aquele período a cidade era um dos braços de Paratinga, o que mais tarde viria a ser emancipada, em 14 de Agosto, do ano de 1958. Uma das tradições mais conhecidas da cidade são as festividades que ocorrem justamente nesse mês, com direito à manifestações artísticas de Música e Poesia. 

    Nos textos seguintes, terão outras postagens a respeito dos festivais e demais manifestações que até hoje são retratadas na cidade. 

REFERÊNCIAS


IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística): https://cidades.ibge.gov.br/brasil/ba/ibotirama/historico

CONTRASTES CULTURAIS DE UM PASSADO NÃO TÃO DISTANTE

Praça do coreto (Fonte: Google Images)     A cidade de Ibotirama, embora seja de porte médio, no comparativo aos seus municípios v...